O Ritmo Circadiano

O Ritmo Circadiano

 

 O processo C consiste no ritmo circadiano, e promove os estados de vigília e alerta. Tem seu pico no início da manhã e uma redução próxima ao horário de dormir. Ele é mediado principalmente pelo ciclo claro-escuro de 24h.

 Diversos fatores contribuem para a calibragem desse ritmo, mas o estímulo luminoso é o fator mais importante desse processo, sendo processado na retina e as informações enviadas ao relógio biológico do sistema nervoso central, o núcleo supraquiasmático (NSQ). Essas células da retina são ganglionares e compõe um terceiro tipo de célula sensitiva à luz, contém um pigmento chamado melanopsina. Os axônios dessas células se projetam direto para o NSQ no hipotálamo anterior, compondo o chamado trato retino hipotalâmico e inibem a produção de melatonina, o que mantém o estado de vigília. Interessantemente, essas células não estão relacionadas à visão, o que permite com que cegos também possam ter ritmo circadiano pelo estímulo luminoso.

Apesar da luz ser o componente mais importante na formação do ritmo circadiano outros fatores como alimentação, exercício físico, temperatura e até mesmo medicamentos contínuos podem interferir nesse processo.

Ação circadiana

 Esse relógio biológico atua na vigília aumentando a temperatura corporal central, inibindo a liberação de melatonina e aumentando as concentrações séricas de cortisol. Em contrapartida, no período noturno ocorre a redução da temperatura corporal central, liberação de melatonina e redução de hormônios corticosteróides.  A engenharia desse relógio biológico é tão complexa que cada um, direito e esquerdo, dos NSQs contém aproximadamente 10.000 neurônios com ritmicidade circadiana. Têm-se como principais marcadores do processo C a temperatura corporal central e a melatonina. 

 

 O hipotálamo dorsomedial, local onde se encontra o NSQ, parece ativar os neurônios produtores de orexina, os quais são ativadores da vigília, e inativar o núcleo pré-óptico ventrolateral (VLPO), o qual possui neurônios produtores de neurotransmissores inibitórios como o GABA e consiste no principal responsável pela indução do sono. Assim o NSQ é considerado um promotor da vigília quando estimulado. 

 

 Quando chega a hora de dormir, o NSQ emite sinais para a pineal, a qual produz melatonina, o hormônio da escuridão, para dentro do líquido cefalorraquidiano na ausência de luz.  Com isso, ela sinaliza o corpo para estar pronto para dormir, fazendo vasodilatação e sensação de  sonolência. 

 

 

Referências

  • Haddad, Fernanda; Gregório, Luis. Medicina do Sono. Barueri: Manole; 2017.
  • DelRosso LM, Ferri R. Sleep Neurology. Springer Nature; 2020.
  • ‌‌Eagleman D, Downar J. Brain and Behavior. Sinauer Associates, Incorporated; 2023.
  • Rizzo, Vitor Bonk. O Misterioso Mundo do Sono. Tecnodata; 2024.
  • https://www.sailforepilepsy.org/2021/11/24/sleep-while-sailing-solo-offshore-a-brain-based-guide-to-napping/



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